Controvérsias

2012-02-29 11:33

Um grande debate presente atualmente na Geomorfologia é sobre a interação entre a tectônica, que expõe os terrenos, e a erosão, que reduz esses terrenos. Resumidamente, podemos dizer que esta relação é a competição entre a produção e a redução do relevo.

 Focando sobre isso, Parker et al. (Nature Geoscience, 4, 449-452, 2011) analisaram os movimentos de massa que ocorreram depois do grande terremoto em Sichuan, China, ocorrido em 2008, e estimaram que a massa de material deslizado excede por 2 a 6 vezes a massa de material que foi movida para cima, com os falhamentos, durante o terremoto. A conclusão seria que os processos erosivos estariam levando a melhor na competição e que o relevo tenderia a diminuir.

Peter Molnar, que foi um dos primeiros pesquisadores modernos a levantar a questão do equilíbrio entre isostasia e erosão de forma quantificada, questionou esses resultados (Nature Geoscience, 5, p.83). Para ele, esse desequilíbrio não seria totalmente justificado, ou seja, o rebote isostático estaria sendo subestimado. Na réplica, Parker e seus colegas insistem em seus resultados, mas admitem a possibilidade de uma lacuna. Quanto tempo leva para que todo o material erodido durante os deslizamentos que se seguem a um terremoto sejam removidos daquela paisagem? Para remoção desse material é necessário considerar os processos fluviais. A diferença das taxas de produção e remoção de sedimentos é que determinará quem está vencendo a competição: tectônica ou erosão?

Os resultados apresentados por Parker et al. são mais favoráveis à ideia de que a tectônica produz o relevo e a erosão simplesmente modela. Por outro lado, o posicionamento de Molnar é de que a isostasia induz a tectônica a produzir o relevo na medida em que a erosão remove o material.

A lacuna identificada por Parker e colegas é muito interessante para a geomorfologia fluvial, e para preenche-la o comportamento dos rios mistos aluvial-rochoso precisa ser melhor compreendido, inclusive com a consideração dos aspectos climáticos.