Modelos x Diversidade

2012-02-09 11:45

Desde os trabalhos de Howard & Kirby (1980) as pesquisas sobre o processo de incisão fluvial em leitos rochosos vem se desenvolvendo bastante. Uma das mais exploradas vias de pesquisa tem sido a da busca de modelos matemáticos que expressem como os rios operam sobre seus substratos rochosos. Mas a natureza dos sistemas naturais é desconcertante, pois existem inúmeras variáveis, embora algumas se destaquem, e os múltiplos ajustes entre essas variáveis ainda não compreendidos. Reconhecidamente, através desses trabalhos, a resistência da litologia e a tectônica são dois elementos fundamentais.

O trabalho de Duvall et al. (2004, J. Geophys. Res., 109, F03002) traz uma interessante discussão sobre dados comparativos de incisão fluvial em litologias mais resistentes e menos resistentes, e ainda em áreas de baixa taxa de soerguimento e alta taxa de soerguimento tectônico. A base metodológica para esse estudo é o modelo declive-área, que se mostra uma ferramenta útil para a obtenção de informações tectônicas a partir da análise geomorfológica. Enquanto modelo básico nota-se que há muitas coisas que não são explicadas por ele, comportamentos dos sistemas fluviais que não são compreensíveis.

O que chama atenção, todavia, é o que os autores pontuam como necessário: em vez da busca de um modelo universal que explique o comportamento dos sistemas fluviais, é mais importante o estudo da variabilidade de comportamentos e de seus controles. Apesar desse estudo ter sido feito há quase uma década, essa assertiva continua válida. O modelo declive-área, enquanto explicativo pela noção de erosão pela tensão de cisalhamento, pode não explicar tudo, mas sem dúvida é uma ferramenta a mais enquanto modelo descritivo, que vem a somar com as ferramentas tradicionais de investigação geológica-geomorfológica.